Antes de 18 de janeiro, Trump já lançava ameaças sobre a Groenlândia. Ameaça ocupar, exige a venda pela Dinamarca e se movimenta por declarações bombásticas, sem razoabilidade. Entre outras coisas, afirmava que os dinamarqueses não eram capazes de defendê-la contra Rússia e China.
Todos os países responderam em tom diplomático. A tática de Trump já é conhecida e todos já esperam o recuo depois da avalanche de baboseiras, ameaças e “loucura”. Mas, se tratando do maior império, com a concentração de poderes e com as diversas medidas excessivas de Trump, nada é impossível de acontecer. Tudo é incerto, ninguém é capaz de fazer análises seguras. Isso faz parte da tática trumpista e só é possível porque Trump controla a máquina econômica e militar da maior potência.
O sequestro de Maduro, uma provocação sem precedentes e o desrespeito absoluto pela soberania da Venezuela, acentuou o clima de incerteza.
Embora Trump ameace até com uma invasão da Groenlândia, é evidente que ele não espera a cessão do território para os EUA. Espera conseguir maiores vantagens para posicionar tropas, bases e poder explorar matérias-primas.
Não há um plano, há uma ofensiva que busca melhores posições na Groenlândia e uma aceitação da Dinamarca desta situação.
Dia 20 de janeiro, Trump publicou uma imagem no Twitter com Canadá, Venezuela e Groenlândia como anexados aos EUA. Líderes europeus criticaram. Em 21 de janeiro, no Fórum de Davos, Trump iria falar. Reiterou o interesse fundamental: a Groenlândia representava algo estratégico para os EUA. Disse que não usaria a força, algo que havia colocado como possibilidade dias antes. Cancelou também a ameaça tarifária contra os paises que “ameaçaram” os EUA ao colocar tropas na Groenlândia. Teria se alinhado com Mark Rutte para um “framework” de cooperação no Ártico.
22 e 23 de janeiro: Dinamarca e Groenlândia reafirmam que sua soberania não é negociável.
Em 25 de janeiro, o recuo de Trump colocou o limite das táticas de Trump e gerou muitas desconfianças nas relações entre Europa, Canadá e OTAN com os EUA. O resultado foi um acordo entre China e Canadá, entre Europa e Índia e uma queda significativa do dólar. A tática dele dá sinais de esgotamento.
Ao mesmo tempo que o desgaste e o resultado inócuo de Trump na Groenlândia vão mostrando fraquezas, a política de combate à imigração, que restava como apoio do eleitorado médio, começa a gerar desgaste e unificar a oposição ao seu governo.
A primeira medida do governo Trump sobre imigração que é necessário compreender foi o aumento para bilhões do ICE, a polícia antimigração, que antes tinha orçamento de milhões.
A outra parte foi a orçamentação de prisões, campos de concentração, deportações “humanitárias” e uma escalada de ameaças contra imigrantes latinos e africanos. O discurso foi de criminalização, estigmatização e intimidação — campanhas claramente raciais. Trump e outros representantes da Casa Branca falaram que os imigrantes eram feios, estupradores, criminosos e tantas outras coisas, de maneira genérica e absurda.
Com o aumento do orçamento, Trump também organizou o recrutamento para o ICE, com contratos de mais de 50 mil dólares anuais, inclusive com valores acima de 100 mil dólares. Isso representa um valor muito significativo para a classe trabalhadora empobrecida dos EUA — cerca de 4 mil a 5 mil dólares por mês, algo superior a 15 mil reais. Equivale ao salário de um dentista nos EUA, por exemplo.
Outra questão foi a dotação de equipamentos novos: armas, carros e uniformes com balaclavas para cobrir o rosto.
No início, as ações do ICE geraram resistência de organizações de direitos humanos e de governos, com tentativas de monitoramento. Imaginou-se que as próprias instituições norte-americanas limitariam os excessos e que a ofensiva de Trump perderia força rapidamente, como mais um espetáculo de horror com prazo para acabar.
O fato foi diferente: Trump escalou ainda mais o ICE, que foi reforçado. Medidas que restringiam direitos de imigrantes foram ampliadas, residências passaram a ser invadidas, e situações de abuso tornaram-se normativas. Protestos formais foram sendo silenciados.
As residências, que eram refúgio, deixaram de ser seguras. A população imigrante começou a viver escondida dentro de casa. Bairros inteiros vazios, comércios sem movimento. Muitos passaram a sair apenas para trabalhar. A situação lembraria a narração de Anne Frank, em que a vida dos judeus na Holanda se deteriorava dia a dia sob o nazismo.
Até que a situação piorou com a operação Metro Surge, em dezembro de 2025, com ampliação do ICE e reforço do controle de fronteiras em várias cidades, especialmente em Minneapolis–Saint Paul (Minnesota), com o objetivo de prender e deportar imigrantes ilegais. A ação resultou em protestos. O ICE aumentou sua atuação, com metas de prisões, e começaram a circular muitos vídeos de abusos, inclusive contra pessoas naturalizadas.
A cidade de Minneapolis tem maioria democrata, um governador e prefeito de oposição e uma grande população de imigrantes somalis, alvo frequente das declarações raciais de Trump.

Tim Walz, governador, chamou as ações de “ato extremo”. Jacob Frey exigiu a retirada das tropas por “violência desnecessária”. Há vários processos por abuso de poder.
Até janeiro de 2026, o ICE já havia matado 6 pessoas sob sua custódia e 32 morreram em suas instalações. Mas foi com a morte da norte-americana Renée Nicole Good, de 37 anos, assassinada em seu carro, que os protestos começaram a se massificar. Grupos de direitos humanos passaram a fazer rondas e sistemas de alerta em bairros com imigrantes.
Houve protestos massivos em Minneapolis, San Francisco, Los Angeles, Nova York e Boston. Em 23 de janeiro houve greve geral em Minnesota. Governadores democráticos exigem investigação e fim das operações do ICE. Trump manteve defesa das ações e justificou como “legítima defesa”.
Pelo menos 8 mortos em 2026, sendo o último Alex Petitti, de 37 anos, enfermeiro, sem antecedentes, descrito como homem pacífico, executado pelas costas. Segundo a Casa Branca, ele estaria armado, mas vídeos indicam que segurava apenas um celular.
A execução provocou discussão sobre falta de preparo do ICE.
Trump começa a recuar parcialmente.

A republicana María Elvira Salazar diz que a repressão aos imigrantes está indo longe demais. Ela ajudou a fundar o movimento “Latina por Trump”.
Trump enfrenta queda de popularidade e valorização recorde do euro.
Gregory Bovino é o oficial por trás da operação do ICE, com declarações graves e absurdas.