31 de janeiro de 2026 — O cerco ao Irã: uma história de 45 anos de sanções

khamenei

As primeiras sanções dos EUA contra o Irã começaram logo após a Revolução de 1979. Houve o congelamento de 11,3 bilhões de dólares em ativos iranianos e, em seguida, anos de transição entre renovação e suspensão de relações diplomáticas.

Clinton impôs o embargo total do comércio entre EUA e Irã e a proibição de investimento de americanos no setor de energia. Em 1996, a Lei de Sanções Irã-Líbia penaliza empresas estrangeiras que invistam no setor de petróleo e gás iraniano. Essas sanções têm valor extraterritorial.

Entre 2006 e 2010, os EUA foram pressionando o Conselho de Segurança da ONU com denúncias sobre o programa nuclear iraniano. Como medida, os EUA isolaram bancos iranianos do sistema financeiro internacional e congelaram ativos de autoridades e empresas ligadas ao programa nuclear.

Sob Barack Obama, antes do acordo, bloquearam quase a totalidade das exportações de petróleo do Irã e promoveram a exclusão do país do sistema SWIFT. O resultado foi uma inflação elevada e uma queda brusca das receitas do Estado.

Em 14 de julho de 2015, em Viena, foi assinado o Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA) entre Irã, EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha. Em 16 de janeiro de 2016, as sanções foram suspensas.

A partir de 2018, há nova reimposição de sanções com o governo Trump e a retirada dos EUA do JCPOA. A Guarda Revolucionária Islâmica é classificada como organização terrorista. Em 3 de janeiro de 2020, Qasem Soleimani é assassinado por um ataque de drones próximo ao Aeroporto Internacional de Bagdá, por ordem de Trump. Soleimani era o comandante da Força Quds.

A Força Quds é a unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), especializada em operações fora do território iraniano, respondendo diretamente ao Aiatolá — não ao governo civil.

A Força Quds organizava, sob a direção de Soleimani, a resistência anti-imperialista e antissionista na região: o Hezbollah no Líbano, o apoio ao governo Assad na Síria, as milícias xiitas no Iraque, os Houthis no Iêmen e a resistência nacional palestina. Esmail Qaani assumiu o lugar de Soleimani. Os EUA classificam os Quds como organização terrorista.

No governo Biden, a partir de 2021, houve tentativas de retomar o acordo nuclear. As sanções foram mantidas, com flexibilizações pontuais. Houve momentos de maior pressão sobre a economia iraniana, porém o governo conseguiu manter alguma estabilidade política e aproveitar as brechas para se sustentar.

Trump parece querer apertar o cerco e entrar para a história como o presidente que derrubou a República Islamica.