9 de abril de 2026 – Quando chega o inexorável.

Netanyahu

Israel se desespera e procura fazer provocações genocidas para tentar mudar o inexorável: a derrota imposta pelo Irã ao império não tem saída e fará com que os EUA tenham que se retirar, em pouquíssimo tempo.

Israel está em apuros. O líder da oposição, Yair Lapid, classificou a situação como:

o pior desastre diplomático da história de Israel

A equação do xeque-mate é simples: o governo iraniano está coeso, a população mobilizada em defesa da soberania. Não há indício de fratura no comando persa que os EUA e Israel possam explorar. A moral elevada de Teerã contrasta com a situação de desmoralização da liderança dos EUA (caso Epstein, arrogância, racismo e ameaça nuclear contra a humanidade) e de Israel (genocídio palestino, corrupção de Netanyahu, estupro, tortura e assassinato de prisioneiros, apartheid. Discriminação racista, preconceito religioso, desrespeito às leis internacionais, assassinato seletivo de parentes; enfim, Israel deixaria qualquer monstro nazista chocado, tamanha barbaridade).

Mas se os aspectos mais políticos da guerra são contrastantes entre as partes, no aspecto militar, que no final é o fator essencial, o Irã está vencendo — venceu de forma categórica.

Basta que o Irã resolva fechar o Estreito para que os preços do petróleo subam. Caso a ameaça de destruição de áreas críticas do Irã se cumpra, há a infraestrutura dos países do Golfo para o Irã retaliar — e uma refinaria, um local de armazenamento de gás, um oleoduto destruído significa uma elevação astronômica nos preços, já que não há como compensar o petróleo no mercado. E pior: a recuperação desses equipamentos levaria, dependendo do dano, anos.

Uma possibilidade seria destruir a capacidade de lançamento de mísseis do Irã. O problema é que é exatamente isso que os EUA e Israel tentam fazer há 40 dias, sem que consigam nenhum resultado significativo que ao menos indique redução da capacidade do Irã em contra-atacar.

Os alvos do Irã são cada vez mais fáceis. O Golfo se apresenta como um estande de tiro aberto para os mísseis iranianos. Não há o que fazer.

Para os EUA, coube apenas gritar, escalar na retórica para tentar intimidar e buscar uma saída. Não deu certo, e sobrou aceitar o ultimato do Irã. Possivelmente ainda veremos esse tipo de ameaça, gritaria, assassinatos e bombardeios até que tenham que aceitar de vez. O Irã apenas precisa manter-se firme. E não ceder a provocações, nem recuar.

É evidente que os EUA têm a bomba nuclear e, pior, Israel, em crise existencial, possivelmente também tem. A possibilidade de Israel usar a bomba para escalar nas alturas e depois garantir algum acordo — ou mesmo usar a bomba para uma última destruição simultânea — até existe. Porém, há muitas outras possibilidades mais realistas: ataques e escaramuças de menor intensidade, mantendo a tensão sem um relativo engajamento norte-americano, enquanto o Irã responde, mas não faz nada muito grande.

Nessa possibilidade, em médio prazo, todo ônus ainda continua sendo de Israel, que hoje vive uma crise social, política e militar. Com o tempo, a tendência é o regime sionista implodir por dentro — e, para o Irã, é a melhor possibilidade, já que evita reações imprevisíveis e danos em seu território. Acabar a guerra e deixar Israel enfrentar seus demônios é, agora, a melhor opção.

O Irã pode ter contradições internas agravadas no médio prazo, é claro. A guerra de resistência nacional unificou todas as forças, porém houve um ônus — e esse ônus é econômico, desdobrando-se em social e político.

Há um prazo para muitas coisas. O primeiro é a abertura do Estreito, que tem uma urgência imediata para as potências. Há depois Netanyahu, que, sem a guerra, precisará lidar com contradições políticas imediatas, especialmente ligadas às eleições do Knesset que definirão o primeiro-ministro. O pleito está previsto para 27/10/2026.

Logo depois têm os “midterms” nos EUA, dia 3 de novembro, quando são renovados os 435 deputados e 1/3 dos 100 senadores. Se os republicanos perderem, todo poder de Trump se esvai. Pode haver impeachment, e a vida política nos próximos 2 anos ficará consumida pela disputa nos EUA. Há uma tendência da Câmara mudar de lado e talvez o Senado.

Faltam, no máximo, 200 dias, porque as eleições de Israel podem ser antecipadas.

Após a vitória iraniana, não há muito tempo para Trump e Netanyahu. Se esticarem e procurarem ganhar tempo em um cenário em que o tempo conta contra, a débâcle é a tendência principal.

Não há muito tempo para manter agressões e bombardeios esperando que algum desgaste crie outra situação nova e uma saída.

Nos próximos dias veremos uma retirada dos EUA e um recuo de Israel.