7 de abril de 2026 – Xeque-mate – Trump não teve saída e aceitou as condições do Irã.

Trump de joelhos

Após tentar a sua última cartada, procurando fazer com que o comando iraniano desse uma possibilidade de saída honrosa, Trump aceitou em um post de rede social as condições do Irã.

Como padrão, procurou subir o tom retórico ao infinito, mesmo sem ter conseguido elevar a escalada na mesma medida no campo de batalha.

No final de semana, uma atrapalhada missão de resgate de um piloto acabou aumentando a desmoralização das forças armadas norte-americanas, mesmo que no domingo diversas mídias corporativas tenham noticiado essa operação como algo heroico. Para o grande público que se deslumbra com filmes de super-heróis de Hollywood, a história de Trump poderia até parecer crível, mas para qualquer um que tenha o mínimo de senso crítico, a situação do “resgate” do piloto podia ser medida pela destruição de quase uma dezena de aeronaves norte-americanas.

As cenas de populares iranianos armados de espingarda atirando contra Blackhawks e a adesão massiva e corajosa da população ao esforço de defesa era sintomática de onde estavam os heróis.

A última cartada de Trump foi uma vociferação racista, chula e desesperada, que misturou xingamento, ameaças de levar o Irã à “idade da pedra” e insinuações do uso de bomba nuclear.

Trump já não tinha mais nenhuma carta na mão. A bomba nuclear não faz parte do jogo, ao menos ainda, no cenário atual deste conflito.Trump ameaçou, gritou, fez cara feia e bradou ao infinito a sua carta, colocou todas as fichas, como no pôker. O Irã, que já tinha dado o xeque-mate e antecipado esse movimento, apenas pagou para ver. Trump teve que mostrar as suas cartas: um 7 de paus e um 2 de copas. Nada!

Assim, sem nada mais o que fazer, com seu tom arrogante, aceitou os 10 pontos do Irã, cantando alguma vitória, mas que todos no mundo inteiro sabem, foi uma estrondosa derrota.

Os 10 pontos do Irã

1º Garantias de não agressão

2º Permanência do controle do Irã sobre Ormuz

3º Aceitação do enriquecimento do urânio por parte do Irã

4º Suspensão de todas as sanções sobre o Irã (primárias)

5º Suspensão de todas as sanções (secundárias)

6º Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU

7º Revogação das medidas da AIEA

8º Pagamento de indenização ao Irã

9º Retirada das forças de combate dos EUA da região

10º Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o acordo e declarou que o Irã irá suspender as ações defensivas.

No Irã, a TV disse que a guerra não acabou, que qualquer movimento do inimigo será respondido.

“Por um período de duas semanas será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação das forças armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas.”

Antes do recuo de Trump e a aceitação, a população, especialmente as mulheres, marcharam para o entorno de refinarias e equipamentos ligados ao petróleo, gás e energia para demonstrar a disposição da população em defender seu país.

Cabem algumas considerações:

1º O movimento de Trump não é confiável, e os EUA romperam inúmeras vezes acordos de cessar-fogo de maneira unilateral e de forma sorrateira. O próprio ataque que martirizou Khamenei foi feito nesses moldes, em meio a uma mesa de negociação.

2º Israel pode ficar sozinho. O custo da derrota pode desmobilizar o esforço norte-americano na região, deixando os sionistas em apuros.

3º Até que muita coisa mude, que os EUA se enfraqueçam ainda mais e que Israel desapareça como uma entidade sionista e colonialista-racista, o conflito com o Irã não vai acabar, e novas coisas ou novas batalhas voltarão a acontecer.

Por fim, cabe destacar o prejuízo norte-americano nesta guerra, que além de ser moral, ultrapassou os vários bilhões.

Como em outros momentos de transição internacional, episódios como esse valem menos pelo seu desfecho imediato do que pelo que revelam sobre tendências de longo prazo. Se esse caso for um sinal dessas mudanças, ele poderá ser lembrado não como um evento isolado, mas como mais um passo da decadência do império norte-americano.

Por enquanto, para essa guerra, xeque-mate.