Somos pessoas justas, do lado da verdade.

Heba

Hiba Abu Nada tinha 32 anos quando foi assassinada dentro de casa, em Gaza, no dia 20 de outubro de 2023, durante um bombardeio israelense.

Nasceu em 1991, em Meca, filha de uma família expulsa da Palestina em 1948. A violência que a matou não começa ali — é a continuidade de um processo.

Era poeta, escrevia prosa, era bioquímica. Formada pela Universidade Islâmica de Gaza, também alvo de destruição sionista.

Publicou, ganhou um prêmio e escreveu. Sua obra não se separa da realidade em que vivia — uma realidade marcada pela ocupação, pelo bloqueio e pelo genocídio.

Um dia antes de ser morta, escreveu:

“Se morrermos, saibam que estamos satisfeitos e firmes, e digam ao mundo, em nosso nome, que somos pessoas justas, do lado da verdade.”

Horas depois, escreveu seu último poema.

A noite na cidade é escura,
exceto pelo brilho dos mísseis;
silenciosa, exceto pelo som do bombardeio;
aterradora, exceto pela promessa lenitiva da oração;
tenebrosa, exceto pela luz dos mártires.