O nome do estreito, em árabe, quer dizer Porta das Lamentações, e sua parte mais estreita tem cerca de 32 km, divididos pela ilha Perim (Mayyun) em dois canais, um de cerca de 3 km, do lado iemenita, e outro de cerca de 26 km. A rota entre Ásia e Europa através do Canal de Suez precisa passar pelo Estreito de Bab al-Mandeb.
Por outro lado, o estreito também serve como uma ponte entre o chamado Chifre Africano e a Península Arábica, entre Etiópia, Eritreia e Djibuti e o Iêmen, Omã e Arábia Saudita. O estreito, através da ilha Perim, é uma ligação histórica entre África e o sul da Península Arábica.
Aden e as potências imperiais
Aden sempre foi um centro de controle para o Mar Vermelho, disputado pelas potências imperiais devido à proximidade com o Estreito de Bab al-Mandeb. Os otomanos tomaram controle de Aden em 1538, os britânicos em 1839, para garantir a rota entre Índia e Europa, especialmente depois da abertura do Canal de Suez em 1869.
Na Guerra Fria, com o Iêmen do Sul, a URSS tinha preocupações fundamentais nesse estreito e depois Israel passou a disputar ou procurar controlar o estreito.
A Guerra do Yom Kippur, por exemplo, teve importante disputa em torno do fechamento desse estreito, que impede o acesso ao porto israelense de Eilat no Mar Vermelho. Navios egípcios bloquearam ali os petroleiros com destino a Israel por vários meses.
A “pirataria” e a arrogância neocolonialista
Na primeira década de 2000, houve pirataria de origem somali na região, o que chamaria a atenção das potências europeias e dos EUA para o lugar, mas principalmente demonstraria que a vulnerabilidade das embarcações era ainda maior e podia ser explorada por forças pequenas que estivessem próximas ao estreito.
A ideia de pirataria e de uma série de bárbaros africanos invadindo navios de potências [?] carrega um tanto de racismo e preconceito contra os somalis, e é fortemente discutível, porém não é exatamente o que pretendemos tratar aqui.
Desde a década de 1980 o capital passou a um processo de interligação econômica que ficou conhecido como globalização e tornou as cadeias produtivas muito dependentes de uma logística que preza o just in time e necessita dele, em um rigor cada vez maior.
A “pirataria” somali é a ironia desta arrogância neocolonialista que acreditou poder organizar o mundo a partir do fluxo livre de mercadorias, matérias-primas e capital, enquanto erguia muros para populações de imigrantes, relegava partes do mundo ao mais completo abandono, à miséria e às guerras. Basta um pequeno impasse, uma pequena população indômita para que toda a cadeia produtiva seja colocada em xeque.
Leia também: “O Iêmen” e “A ofensiva atual do Ansar Allah e o impasse estratégico das potências militares”.
Fontes
Fontes não ocidentais
BAB EL-MANDEB Strait explained: why this Red Sea chokepoint matters for global trade. Outlook India, Nova Délhi. Disponível em: https://www.outlookindia.com/international/bab-el-mandeb-strait-explained-why-this-red-sea-chokepoint-matters-for-global-trade. Acesso em: 22 out. 2026.
COMBATES no Iêmen deixam 63 mortos e Arábia Saudita intensifica bombardeios. Brasil de Fato, São Paulo, 10 out. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/10/10/combates-no-iemen-deixam-63-mortos-e-arabia-saudita-intensifica-bombardeios/. Acesso em: 22 out. 2026.
Fontes ocidentais
NATIONAL GEOGRAPHIC. This small strait is essential to global shipping. Now it’s the center of headlines. Washington. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/history/article/bab-al-mandan-red-sea-suez-shipping-crisis-houthis-gaza. Acesso em: 22 out. 2026.
WORLDATLAS. Where is the Bab el-Mandeb Strait? Disponível em: https://www.worldatlas.com/articles/where-is-the-bab-el-mandeb-strait.html. Acesso em: 22 out. 2026.