12 de fevereiro de 2026 – Trump, o valentão, e os arquivos Epstein

trump babaca

Os temas do noticiário internacional relacionados à Venezuela e ao Irã estão suspensos pela questão da imigração nos EUA, e particularmente pela reação à truculência do ICE. Se por um lado o estilo blitzkrieg de Trump movimenta todos os atores — seja contra ou a favor — em torno de suas pautas, por outro lado, seu método consegue unificar a oposição contra si. Isso não ocorre de imediato: suas ações são imprevisíveis, geralmente desproporcionais e com medidas inusitadas.

Quem imaginaria que Trump sequestraria Maduro, como fez — sem nenhum respeito à soberania de um país que existe há tanto tempo quanto os EUA?

A reação imediata de apreensão geral, de temor, gera uma certa inércia coletiva. Todos assistem o valentão acertar em cheio, à luz do dia, o rosto do garoto menor. Os outros abrem a roda, assistem atônitos àquela agressão covarde, não comentam, recuam — e os mais próximos do valentão, os puxa-sacos, aplaudem com um certo sorriso amarelo enquanto o agressor olha a todos em volta em tom ameaçador, buscando esmagar qualquer resistência, qualquer simpatia e solidariedade.

Essa é a terrível cena que assistimos em centenas de filmes norte-americanos: crianças na escola humilhando, ameaçando e isolando quem é diferente de um pretendido padrão social. Obesos, míopes, baixos, deficientes e nerds são estigmatizados, relegados ao isolamento social, à humilhação, à covardia e ao medo.

Esse estranho universo social retratado insistentemente nos filmes de adolescentes norte-americanos é o mundo proto-fascista de Trump. Desse tipo de relação escolar se evolui, na fase adulta, para as terríveis relações de gangster e cowboys — ou policiais “justiceiros” — com os mais fracos, vulneráveis ou pobres, sempre estigmatizados por todo tipo de racismo e preconceito.

Trump vive e existe no mundo como um valentão do ensino médio, um gangster nova-iorquino ou um policial que não tem limites para levar a “ordem” aos guetos onde vivem os desajustados e os homens mais humildes.

Trump é um pastiche, um clichê de mau gosto do seu próprio mundo cultural — que tanto assistimos pelos filmes e por toda a indústria cultural do seu país.

Esse mundo está em decadência. E não é à toa que estavam comparando Trump a Nero, o imperador que colocou fogo em Roma. Mas se até alguns se lembravam de Nero, e outros mais elogiosos falavam em Júlio César, nas últimas semanas o imperador que melhor lembra Trump e seu Império é o depravado Calígula.

Os arquivos liberados pelo judiciário norte-americano sobre o caso Epstein impuseram uma série de absurdas revelações que começam com o abuso de menores por personalidades da elite mundial em festas que ocorreram na ilha do bilionário Epstein, passando por histórias de rituais de depravação sexual, estupros, violências desmensuradas e estranhas, chegando a mutilações, torturas, canibalismo e assassinatos ritualísticos de jovens e bebês.

Os arquivos que indicam essas barbaridades foram liberados com mais de 3 milhões de documentos disponíveis para consulta pública. Igualmente, havia tarjas que protegiam a identidade de pessoas específicas — mas não protegiam as vítimas dos abusos, especialmente as jovens e crianças da época. Houve uma busca frenética por jornalistas e pessoas comuns de todos os tipos, vasculhando palavras-chave nos documentos.

O império avança em decadência.