7 de janeiro de 2026 – O governo continua na Venezuela

nosso hemisferio

Até o momento, a ação dos EUA na Venezuela se limitou ao sequestro de Maduro e à manutenção do cerco naval. Por outro lado, o vazio de poder deixado pelo mandatário não foi ocupado por forças alinhadas absolutamente, ao menos por enquanto, com os EUA. A vice Delcy Rodríguez é parte do chavismo, junto com seu irmão, presidente da Assembleia Nacional.

Delcy afirmou: “Todos os planos de defesa integral da nação, com o decreto que foi ordenado pelo presidente Maduro”, momentos depois do sequestro.

Vladimir Padrino López, ministro do Poder Popular para a Defesa e o principal responsável pela FANB desde 2014, oficial mais alto das Forças Armadas, 62 anos.

A FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) informa ao mundo inteiro que, na madrugada de hoje, 03 de janeiro de 2026, o povo venezuelano tem sido objeto da mais criminosa agressão militar por parte do governo dos EUA. A honra, o dever e a história nos chamam. Que o grito da pátria livre retumbe em cada rincão. A vitória é nossa, porque a razão e a dignidade nos acompanham. Venceremos.

Todos os membros da cúpula chavista — Cabello, Padrino e os irmãos Rodríguez — haviam se pronunciado de forma unificada, denunciando o sequestro, mantendo o reconhecimento de Maduro e convocando a resistência.

Delcy, no dia 4, já foi empossada como interina pela Assembleia Nacional, e o próprio Trump descartou Corina Machado e reconheceu Delcy.

No dia 5, já havia ameaças de Trump para que Delcy fizesse um governo alinhado. Delcy declarava que quer paz, mas fazia declarações em que dizia não aceitar um governo estrangeiro.

Marco Rubio (04/01/2026):

“Vamos avaliar tudo o que eles fizeram e vamos ver o que farão (…). Sei de uma coisa: se eles não tomarem a decisão correta, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.”

Ao longo do dia 5 de janeiro, surgiram várias notícias sobre um acordo dos irmãos Rodríguez com os EUA, indicando ou uma traição ou alguma forma de acordo nos últimos dois meses entre o governo dos EUA e o da Venezuela, que possivelmente os EUA não cumpriram ou não levaram até o fim.

Ao que parece, os irmãos Rodríguez seriam uma ponte, porém não necessariamente uma traição. Ao que parece, não há divisões grandes na alta cúpula chavista.

Outra questão é a incapacidade de Trump de retirar o chavismo. O sequestro, objetivamente, retirou Maduro e serviu para possibilitar uma nova situação em que os EUA pudessem manejar tanto alguma insurreição popular contra o chavismo, divisões internas ou até um golpe. Mas o que aconteceu foi uma manifestação popular em defesa do governo, unidade da cúpula e poucas palavras provocativas, um clima de certa tranquilidade no governo, sem atitudes desesperadas que pudessem levar à contradição.

Por outro lado, Trump recolhe desgaste ao longo dos dias 5 e 6: Rússia e China se declararam indignadas; protestos pelo mundo contra o imperialismo dos EUA. A repercussão é de flagrante violação do direito internacional.

Jeffrey Sachs fala em violação da Constituição dos EUA e do direito internacional.

No Brasil, exceto pelo bolsonarismo, ninguém defende a invasão e o sequestro. Tarcísio comemorou.

Brasil, México, Chile, Colômbia e Uruguai, além da Espanha, afirmaram:

“Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas.”

No dia 5, no Twitter, o Departamento de Estado dos EUA publicou uma foto em que aparece Trump e o texto:

“Este é o nosso hemisfério, e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada.”

Hoje, dia 07, o dia amanheceu com a interceptação do petróleo russo, ou com bandeira russa, após uma perseguição que começou em dezembro. O Reino Unido participou da operação. A embarcação, com o nome de Marinova, havia recebido escolta de submarino russo. Foi apreendida no Atlântico Norte. A Rússia afirma que a apreensão viola o direito marítimo e exigiu tratamento digno aos tripulantes. Os EUA afirmam que a apreensão respeita o direito internacional porque navegava sob bandeira falsa. Healey, secretário de Defesa do Reino Unido, afirmou que o petroleiro tem “histórico nefasto” e está ligado a redes russas e iranianas de evasão de sanções.

Também hoje, interceptaram outro navio petroleiro venezuelano, no mar do Caribe, o quarto.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as sanções “continuam em vigor em todo o mundo”.

O fato de os norte-americanos precisarem manter a pressão nesse nível, com ameaças e mais sanções, demonstra que estão muito longe de conseguir alcançar os objetivos.

Marco Rubio esboçou um plano de três fases para a Venezuela e “não estaria improvisando”:

1º Estabilizar o país mediante a apreensão e venda de 30 a 50 milhões de barris de petróleo, equivalente a dois meses de produção venezuelana.

A Venezuela produz cerca de 1 milhão; antes produzia 3 milhões (1990) e 2,5 milhões em 2013.

Garantir que “as empresas estadunidenses, ocidentais e de outros países tenham acesso ao mercado venezuelano de forma justa” e reintegrar as forças de oposição.

3º Passo seria a integração dos partidos da oposição.

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump está “em coordenação estreita com as autoridades provisórias da Venezuela” e que “suas decisões serão apoiadas pelos EUA”.

Chuck Schumer, líder dos democratas, disse que:

“há muito para se esclarecer”.

Secretário de Energia dos EUA “controlará” indefinidamente as vendas de petróleo da Venezuela (Chris Wright).

A PDVSA confirma que está negociando a venda de petróleo aos EUA.

“Este processo se desenvolve sob esquemas similares aos vigentes com empresas internacionais, como a Chevron, e está baseado em uma transação estritamente comercial.”

(Informações do New York Times)

María Corina Machado elogia Trump e diz que quer compartilhar seu Prêmio Nobel da Paz com ele:

“Como este é o prêmio do povo venezuelano, certamente queremos dá-lo e compartilhá-lo com ele.”

(na Fox)