Essas informações são de finais de janeiro de 2026
I. EUA e América Latina
1. EUA em decadência
Os Estados Unidos estão em decadência enquanto potência hegemônica mundial. A Rússia mantém o maior arsenal atômico, expande sua indústria bélica, conseguiu ganhar experiência militar e vem vencendo a guerra da Ucrânia. Superou as sanções e tem se mostrado resistente às ofensivas ocidentais.
A China mantém o crescimento econômico acima de 5% do PIB, excede no desenvolvimento de tecnologias antes controladas pelos EUA e Europa, ampliando o controle de mercados, como o de energia solar (equipamentos), carros elétricos, produtos eletrônicos. Também tem ampliado o controle sobre fontes de matérias-primas, especialmente terras-raras, petróleo e ferro.
2. China na América Latina
A China tem se transformado no principal parceiro comercial de diversos países latino-americanos:
- Brasil: +30% das exportações para a China
- Chile: 40% das exportações para a China
- Peru: principal destino das exportações
- Uruguai: em ascensão
Argentina: China é maior parceira que os EUA.
Venezuela: China é a principal compradora e financiadora.
México e Colômbia ainda têm os EUA como principal destino comercial. No conjunto da América Latina, os EUA ainda são o principal parceiro.
Em 2023, o comércio entre China e América Latina foi de US$ 483 bilhões.
- Importações da China vindas da AL: US$ 243 bilhões
- Exportações da China para a AL: US$ 250 bilhões
3. Fornecimento militar na América Latina
Os EUA fornecem 43% das armas vendidas no mundo.
- Venezuela: comprou caças Su-30, sistemas S-300, fuzis AK-103, sistemas Pantsir-S1 e Buk-M2E.
- Cuba e Nicarágua: também compram armamentos russos.
- Bolívia: comprou da Rússia.
Os EUA ainda dominam o mercado de armas latino-americano.
Mais de 85% do comércio latino-americano é faturado, hipotecado e financiado em dólares. As commodities são precificadas em dólares. Porém, há diversificação crescente.
4. Desdolarização na América Latina
De 8 a 12% do comércio dos países sul-americanos é feito em yuan.
30% do comércio russo é em yuan, por causa das sanções.
As reservas internacionais na América Latina ainda são:
- 75 a 85% em dólar
- 10% em euro
- 5% em yuan
A América Latina é a região mais dolarizada do mundo, mas está lentamente se desdolarizando.
II. A Doutrina Donroe: Estratégia Nacional de Segurança dos EUA (Trump, 2025 – Novembro)
1. Primazia dos EUA no cenário global:
- a) Reafirma o domínio e o monopólio
- b) A América é zona exclusiva de segurança nacional
- c) Iniciativa e estratégia contra Rússia, China e Irã
- d) Demanda que parceiros sejam “espaço estratégico controlado”
2. Confronto estrutural, não conjuntural:
- a) China – principal ameaça sistêmica
- b) Rússia – ameaça nuclear e geográfica
- c) Irã – ameaça regional e assimétrica
3. Segurança acima da democracia:
- a) Democracia e direitos humanos deixam de ser prioridades universais
- b) O critério principal é o alinhamento estratégico
- c) Regimes autoritários são tolerados desde que aliados; regimes desalinhados são penalizados
4. Economia como arma de segurança:
- a) Sanções, tarifas e bloqueios financeiros
- b) Recurso a instrumentos financeiros
- c) Combate a desdobramentos e BRICS
5. Força militar e coerção:
- a) Força naval
- b) Ampliação da presença militar na América Central, Caribe e América do Sul
- c) Substituição por temas como “narcotráfico, migração e ‘ameaça falsa'”
6. Multilateralismo seletivo:
- a) Desconfiança da ONU, OMC e G20
- b) Aposta em acordos bilaterais (instrumentos, não árbitros)
III. O método para aplicar o corolário Trump
O estilo expressivo no livro “A Arte da negociação,” significa que, sob todos os aspectos, a política norte-americana segue esse padrão do colorário Trump e seu método de negociação.
A invasão da Venezuela e o sequestro de Maduro seguem exatamente esse padrão.
1. Limites da pressão dos EUA
Os EUA mantêm debilidades fundamentais, embora mantenham aparencia de controle absoluto:
- Não retiraram o chavismo do poder
- O cerco tem limites de tempo, custo e eficácia
- Há reação negativo na opinião pública e estimula a coesão antimperialista na América Latina
A manutenção da pressão é demonstração dos limites:
- a) Delcy não é completamente alinhada ou se submeteu.
- b) Qualquer “submissão” pode apenas significar um “ganho de tempo” para o chavismo.
- c) Não há alternativa política se fortalecendo
- d) Não houve capitulação e os adversários aprendem a lidar com Trump, conhecendo as debilidades do seu método.