21 de março de 2026 – EUA preparam retirada.

Trump putao

Os EUA sofreram derrotas sucessivas frente ao Irã, desde que no dia 28 de fevereiro lançou um ataque conjunto com Israel contra o Irã.

Houve no início da agressão dos EUA e Israel contra o Irã um objetivo claro, derrubar o governo a partir de uma situação de caos que alavancasse alguma política mais submissa aos EUA. A ação já vinha sendo planejada desde junho de 2025, após a chamada “guerra dos 12 dias”, quando Israel trocou ataques com o Irã e os EUA precisaram socorrer com um bombardeio. O Irã recuou e aguardou.

Provavelmente Israel conseguiu informações sobre a localização do alto comando iraniano, especialmente a localização do líder supremo, Khamenei, e lançou o ataque dando início a um processo de transição de governo, estímulo a um golpe interno e uma posterior interferência que possibilitasse uma situação melhor para os estadunidenses e sionistas.

Trump alardeou vitória com a sua típica arrogancia, a mídia monopolista ocidental procurou apresentar o apoio popular a morte de Khamenei e ficaram aguardando algum motim interno de minorias dissidentes, de algum militar golpista ou uma situação de desordem social que levasse a uma situação que possibilitasse o retorno dos Parlevis.

Aconteceu o contrário. O governo iraniano não se fragmentou, os substitutos imediatos assumiram seus postos e contratacaram de maneira que surpreenderam os agressores.

E logo o plano de defesa nacional iraniano foi colocado em prática, demonstrando dia após dia, nas ultimas quase três semanas, a sua eficácia. O mito da invencibilidade norte-maeiricana foi quebrado. O regime sionista está sob ameaça existencial, e depois de um xeque poderoso, o rei adversário não tem muito o que fazer, tendo que entregar a dama e recuar para sobreviver.

Há uma série de questões que precisam ser ditas sobre a vitória iraniana:

1º A superioridade moral. O exército iraniano, que tem sido tratado como um bando de fanáticos pela mídia monopolista ocidental, enquadrada como simplesmente uma teocracia irracional pelos seculares jornalistas europeus e estadunidenses, não atacam alvos civis (exceto em Israel) por uma questão ética. Coisa que os “civilizados” ocidentais, e especialmente o regime sionista não possui. Israel degradou a sua força moral a níveis baixíssimos, depois do Genocício em Gaza, de forma que a humanidade tem ojeriza por Israel e seu regime. De vítimas do Holocausto, os sionistas se transformaram em genocidas de crianças e mulheres. E o Irã, que pintavam de fanático e agressivo, veio demonstrando tolerância, respeito e força moral, já que luta para se defender de uma agressão que não provocou e que as justificativas tem sido negadas sucessivamente, como a de serem uma possivel ameaça nuclear. Cabe somar ao declínio moral dos EUA o escandalo Epstein e o envolvimento de Trump e da elite ocidental em casos de pedofilia e outras barbaridades.

2º Unidade popular em torno do governo. O martírio de Ali Khamenei serviu e provavelmente foi “planejado” como uma forma de demonstrar que a liderança do país está disposta a entregar a vida em defesa da nação iraniana. Frente a agressão estrangeira, o martírio xiita não é uma demonstração de fanatismo religioso, mas uma demonstração de igualdade perante a população em geral, deixando uma mensagem clara de que por mais que existam diferenças internas, a soberania nacional será defendida por todos, e os membros do governo, ao invés de terem privilégios e estarem mais protegidos que a população comum, se colocam na linha de frente e dispostos a dar a vida pela nação.

A coragem dos comandantes iranianos e sua disposição de enfrentar o inimigo são talvez a mais importante arma iraniana e essa foi sem dúvidas a arma que os generais americanos e a cúpula sionista não conseguiram medir, provavelmente porque usam a sua própria covardia como medida para julgarem os comandantes iranianos.

3º Capacidade de substituir o comando. A doutrina militar iraniana define uma longa sucessão de comando imediata, de forma que quando morre um comandante, imediatamente o próximo na cadeia de sucessão assume o seu posto.

4º Descentralização de forças. A doutrina iraniana de defesa nacional prevê a descentralização, o chamado mosaico, o que significa a dispersão de forças e a desorientação do inimigo. Cada parte das trinta peças que formam o mosaico da defesa iraniana atua de forma relativamente autônoma, sem um comando operacional único que possa ser capturado ou eliminado.

5º Forças armadas duplas (convencionais e guerrilheiras). O Irã tem duas forças armadas para cada arma tradicional, duas marinhas, dois exércitos e duas forças aéreas, uma convencional e outra que atua como unidades de guerrilha, rápidos, procurando emboscar e se camuflar no terreno.

6º Aproveitamento do terreno. A doutrina militar do Irã se baseia em princípios similares a guerra popular chinesa, prevendo o uso do terreno em favor da resistência. Ao menos dois aspectos são fundamentais no Irã. O controle do estreito de Ormuz e o relevo montanhoso do país.

7º Aproveitamento do efeito surpresa. Por estarem em casa, os iranianos contam com muitas possibilidades de surpreender o inimigo agressor. Seja com armas ainda não usadas, movimentações inesperadas de tropas, informações e tempo de ataque e resposta.

8º Aproveitamento das contradições interimperialistas. O Irã usa todas as possibilidades de dividir as potências imperialistas, principalmente quando ameaça países colaboradores com os EUA, bem como quando proíbem a passagem de aliados dos EUA pelo estreito e liberam de inimigos

9º Criar divisão interna. O Irã aproveita o desgaste de uma guerra prolongada para gerar dificuldades econômicas e políticas no próprio EUA. Seja com o aumento da inflação, ou com o aumento do próprio preço do combustível.