A situação da Venezuela teve uma diminuição na última semana. Os temas Groelândia, Minneapolis, Irã e Prêmio Nobel assumiram a centralidade das notícias.
A questão da Groelândia e Trump segue a mesma lógica da invasão da Venezuela. Trump aplica os princípios do que está escrito no seu corolário da Doutrina Trump. Entende que há uma ameaça à hegemonia dos EUA, especialmente pela Rússia. Entende que não deve mais exercer o papel de “defensor do mundo livre globalmente” — que deve defender o seu domínio, sob todos os aspectos, nas Américas e na Groelândia, que é um território europeu na América, parte de uma possível “Rota da Seda do Ártico”, possui bases militares dos EUA, porém quem exerce a soberania do território é a Dinamarca.
O método de Trump é espantoso. Em primeiro lugar, o “Think Big” — pense grande. A ideia de assumir uma posição que ninguém almejava. Isso, por si só, já intimida. Por trás disso, há a ideia de exigir muito para depois acomodar ganhos menores, e o adversário aceitar a perda como um mal menor. Em meio a isso, a negociação segue sob pressão intensa. No caso, a ameaça de saída unilateral de Trump da negociação com a Dinamarca e uma possível ruptura da soberania da Groelândia — com o envio de tropas ou qualquer outra ação inesperada.
A ideia de que Trump é louco e imprevisível é parte do seu método. Trump aplica a sua cartilha, e o objetivo é, exclusivamente, impor ao outro que se curve e aceite uma perda menor. O final dessa história não será a anexação da Groelândia. Será um acordo de cessão da Groelândia aos EUA para a exploração econômica e a operação militar sem restrições.
No caso do Irã, dá-se algo um pouco distinto, já que o controle territorial não é o objetivo — mas é importante enfraquecer o Irã regionalmente. O fundamental é enfraquecer a motivação nacionalista do regime, a sua oposição e capacidade em mobilizar outros movimentos islâmicos anti-imperialistas e reverter o antissionismo. Mas não há uma forma de fazer isso a curto prazo.
Uma invasão como a do Iraque em 2003, além de absolutamente custosa, não conta com o contexto internacional favorável daquela época. Além disso, mesmo com tudo a favor, o país tem bases sociais para manter uma resistência guerrilheira. Por último e imediatamente, a explosão de contestação — embora tenha muitos aspectos de legitimidade — é claramente apoiada pelos EUA. Trump fez várias declarações de apoio à queda do Aiatolá, e naturalmente isso também unifica todas as bases e grupos nacionais que não são abertamente pró-EUA.
No contexto do Irã, poucos conseguiriam sustentar ou elaborar uma posição nacional que comporte uma aliança com os EUA de Trump, agressivo, com discurso racista e anti-islâmico claro.
O filho do Xá — Reza Pahlavi — que desde 1979 vive nos EUA, nunca voltou ao Irã, não possui vínculos políticos e se apresenta como alternativa ao Aiatolá. Porém, como María Corina Machado na Venezuela, não possui nenhuma legitimidade para governar o Irã, restabelecer a monarquia e mudar o governo.
Trump estimulou a crise, provavelmente esperando alguma situação favorável, ameaçou, estimulou a mudança de regime — mas não pode controlar o processo e nem sequer conseguiu mexer no Aiatolá.
Do ponto de vista militar, há algumas questões importantes que se relacionam ao Irã. Ao que parece, o sistema S-300 de artilharia antiaérea falhou nos ataques da chamada Guerra dos 12 Dias entre Irã e Israel. Isso possivelmente se relaciona aos ataques na Venezuela, que poderiam ter esses sistemas e não conseguiram ser mobilizados. Pode ser algo de um ataque cibernético que paralisou os sistemas — embora, na época dos ataques ao Irã, houvesse a possibilidade de esse ataque dos bombardeiros ter sido combinado para servir a uma desescalada. E assim dar um desfecho às agressões entre Israel e Irã sem que nenhum perdesse. O Irã teria aceitado não atacar as bases americanas para não escalar o conflito ou não aceitar uma provocação dos EUA para um pretexto de guerra total.
Essa não parece ser a situação da Venezuela, já que Maduro não capitulou, nem o governo chavista. Deram combate ao que puderam, resultando na morte de mais de 60 combatentes do forte onde estava Maduro. A incapacidade de derrubar aeronaves norte-americanas na Venezuela parece algo mais objetivo — uma incapacidade real que parece se relacionar com a operação do sistema de defesa e um possível ataque cibernético.
A região do entorno do Irã já possui um comando — o CENTCOM —, com forças no Qatar (Al Udeid Air Base), na Jordânia, no Iraque e na Síria. Porém, os EUA deslocaram o grupo de ataque naval formado pelo porta-aviões Abraham Lincoln e escoltas, equipados com F-15, aviões-tanque KC-135, C-17 e tropas de apoio logístico.
O governo dos EUA não ameaça diretamente, afirma que não estão preparando um ataque — mas a movimentação de tropas é uma ameaça clara e uma preparação de posicionamento para eventuais ataques.
O Irã afirmou que não pretende a guerra, porém responderá duramente.
No dia 30/12/2025, Pezeshkian, no X, afirmou que qualquer agressão ao Irã será dura. Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores, afirmou que as ameaças de Trump são tóxicas e perigosas, e o Irã saberá defender a sua soberania e integridade. O Conselho de Defesa alertou que, caso detectasse sinais claros de uma ameaça, poderia responder com um ataque preventivo.
Enquanto Trump se move para Davos, fazendo ameaças sobre a Groelândia e postando fotos de IA em que inclui a Groelândia como território dos EUA, nos EUA um dia é marcado por protestos anti-Trump, pelo renascimento dos Panteras Negras no contexto da ofensiva do ICE contra imigrantes. O governador da Califórnia especialmente convocou os europeus a não se dobrarem.
Trump propôs um Conselho de Paz para a manutenção da paz e a reconstrução da Faixa de Gaza. Os integrantes terão mandato de 3 anos ou poderão ter cargos vitalícios se receberem 1 bilhão de dólares em dinheiro. Esse conselho foi proposto no aniversário de 1 ano na Casa Branca. Naturalmente, esse conselho visa substituir ou rivalizar com a ONU, porém somente os EUA têm poder de veto.
No evento, Trump falou sobre a Somália: “Disse que é o pior país do mundo. Se é que podemos chamar de país, eu acho que não seja um país.”
O 7º navio petroleiro foi roubado pelos EUA.
Trump afirmou que irá bombardear em terra traficantes na América Latina.
Enfim, são muitas frentes, muitas batalhas.