Como já havíamos previsto, é xeque-mate; não há saída para os EUA nem para Israel.
Para Trump, quanto mais demora para se retirar, mais aumenta o custo político.
Não há alvos no Irã que diminuam sua capacidade militar. Os alvos só podem ser cidades, civis ou infraestrutura civil, o que é, obviamente, um crime de guerra. Mas atacar alvos civis não muda em nada a situação no Irã. O governo continua de pé, ainda mais forte.
Por um lado, as negociações pretendiam encontrar um caminho honroso para Trump e buscar alguma fraqueza que pudessem explorar, quase um milagre que fizesse o Irã abandonar sua vitória.
O Irã se mostrou um muro inexpugnável.
Ameaçaram, criaram bloqueios sob o bloqueio de Ormuz, tentaram uma ação em que tiveram helicópteros e caças abatidos, tentaram forçar passagem no estreito, tentaram chantagear outros países e até prejudicar a seleção de futebol.
Trump já entrou no universo do desespero. O taxímetro do tempo conta em favor do Irã e, mesmo que, no curto prazo, as declarações de Trump consigam equilibrar de forma muito precária o preço do petróleo próximo dos 90 ou 100 dólares, no médio prazo o custo da derrota só cresce.
O Irã está preparado para o sofrimento e o custo de qualquer medida que Trump possa tomar. Está a postos para responder e sabe que o inimigo perde muito mais com o prolongamento desta situação.
Nas últimas semanas, o acordo de cessar-fogo esfriou o conflito.
Enquanto se buscavam negociações, para os EUA era uma situação confortável, desde que durasse pouco tempo, permitindo espaço para novas possibilidades de manobra.
Para o Irã, foi o tempo de se reorganizar, consolidar alianças e avançar na liderança como potência regional. Além disso, é claro, reforçou suas capacidades de ataque.
Enquanto isso, Israel avançava com ataques absurdamente criminosos contra o Líbano, com dois objetivos.
Em primeiro lugar, os ataques ao Líbano visavam destruir a mesa de negociações dos EUA com o Irã e manter o conflito entre os dois, já que, sem os EUA, Israel ficaria em uma situação existencial muito grave.
O segundo objetivo é a expansão das fronteiras de Israel, cumprindo as demandas de grupos sionistas que defendem o avanço do projeto da Grande Israel, uma loucura colonialista que estenderia o regime sionista do Rio Nilo ao Rio Eufrates.
Manter o estado de guerra é fundamental para a direita sionista, e é assim desde a fundação do Estado de Israel. Sem guerra não há como manter o Estado colonial sionista, e essa necessidade se tornou ainda mais primordial com o passar dos anos.
A contradição dessa estratégia de Israel está em suas próprias entranhas. O colonialismo já não é uma política aceitável e legitimada no mundo.
Além disso, Israel é pequeno, possui uma população incapaz de se sobrepor demograficamente aos árabes e, além de não possuir profundidade estratégica, está cercado por países árabes. O genocídio em Gaza tem dificuldade de resistir à pressão das populações da região, que almejam um posicionamento mais firme contra Israel.
Tudo isso faz com que o apoio norte-americano seja vital para a existência de Israel.
O que se aprofunda com o prolongamento do conflito é o aumento das contradições entre Israel e os EUA, fato que tem ficado evidente com as últimas notícias, nas quais Trump e Netanyahu bateram boca devido à continuidade dos ataques ao Líbano, que o Irã considera ponto central para o reinício das negociações, a abertura do estreito e o fim dos conflitos. Trump está desesperado para sair desta guerra e não vai dar o seu pescoço para salvar o de Netanyahu.
Nos últimos dois dias, ao que parece, o Irã começou a aumentar a pressão, o que vai diminuir ainda mais as possibilidades norte-americanas nas negociações e consolidar as conquistas iranianas. Como já falamos, o taxímetro roda em favor do Irã.
O Irã consolidou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, impediu a passagem de petroleiros não autorizados, fez recuar embarcações desobedientes e derrubou um helicóptero Apache.
Em relação ao Líbano, o Irã bombardeou Israel, castigando Tel Aviv e colocando uma situação até então nova: se Israel atacar o Líbano, sofrerá ataques maiores do Irã. A situação é mais uma conquista do Irã e traz outra derrota para Israel, já que o Irã se posiciona como defensor dos muçulmanos, expõe a verve genocida de Israel enquanto aparece como potência militar capaz de impor justiça aos injustos. Essa situação redesenha a correlação de forças no Oeste da Ásia.
Nos últimos dias, o Irã bombardeou a base norte-americana no Barein após ataques dos EUA, que não tiveram como escalar ainda mais o conflito, sobrando a Israel a tarefa de manter os ataques contra Teerã. Mas a situação é evidente: os EUA perderão relevância na região e o Irã consolidará seu papel de potência militar regional. Outras potências aprofundarão suas relações com os países do Oeste Asiático, como China e Rússia.
Israel ficará em maus lençóis. Tem tentado novas ideias, como apoiar uma independência na Somália e articular algo com os Emirados Árabes, mas tudo isso tende ao fracasso sem o padrinho.
O que sobrará de Israel após a retirada de Trump ainda não sabemos, mas viverão um aprofundamento de sua crise final como um Estado racista e colonialista, crise que se tornou grave após a ação do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Fontes
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CNN. Trump says he won’t rush Iran deal. CNN, Atlanta, 27 mai. 2026. Disponível em: https://www.cnn.com/2026/05/27/world/live-news/iran-war-us-news. Acesso em: 11 jun. 2026.
GULF NEWS. US-Israel war on Iran, Day 23: Trump gives Iran 48 hours to reopen Strait of Hormuz. Gulf News, Dubai, 22 mar. 2026. Disponível em: https://gulfnews.com/uae/usisrael-war-on-iran-day-23-trump-gives-iran-48-hours-to-reopen-strait-of-hormuz-qatar-helicopter-crashes-1.500482371. Acesso em: 11 jun. 2026.
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