4 de janeiro de 2026 – Corina não serve.

Corina Machado

O governo Trump parece dividido sobre o problema de quem vai governar após o sequestro de Maduro. A primeira opção para todos era Corina Machado, a líder da oposição que imediatamente já havia se apresentado como campeã do vendismo/entreguismo.

Porém, ao que parece, Maria Corina tem duas debilidades: 1º é o Prêmio Nobel da Paz que Trump queria para si. 2º Corina não tem legitimidade em grandes partes da população, o que poderia gerar uma guerra civil ou conflito.

Objetivamente, os EUA não têm capacidade de mudar o regime sem uma intervenção massiva de tropas, sem correr um risco enorme de atoleiro e acabar como um Vietnã. Por outro lado, Trump usa a força militar e política do império para negociar.

“O histórico e a filosofia da FAFO [instituição sem fins lucrativos ligada à Confederação dos Sindicatos da Noruega] se adequavam muito bem aos propósitos de Israel. Baseavam-se nas teorias dominantes do gerenciamento de conflitos nas ciências sociais do Ocidente.

Em outras palavras, a FAFO via os conflitos em termos de desequilíbrios de poder para descobrir qual era o lado mais forte. Evidentemente, no conflito Israel–Palestina, esse lado mais forte é Israel. O papel do mediador é obter a melhor oferta da parte mais forte e então pressionar o lado mais fraco a aceitá-la. Numa estrutura como essa, as exigências da parte mais fraca não são muito relevantes. Seu papel é simplesmente aceitar qualquer migalha concedida pela parte mais forte. O pressuposto subjacente a essas ‘negociações’ é de que o que está sendo oferecido constitui uma melhoria suficiente na realidade presente, e a parte mais fraca vai se dispor a aceitar, mesmo que esteja muito aquém do que realmente deseja.” (Pappé, 2025, p. 125)

Como apresenta Pappé, o Ocidente e as potências são geridos a partir das lentes do neorrealismo, e a política dos EUA em relação à Venezuela segue essa visão, com um método à la Trump com relação à sua “experiência” em negociações.

A política de Trump, de fundo, assume uma estratégia clássica de “gestão assimétrica de poder”, e não uma cruzada em defesa da democracia.

Para os chamados neorrealistas, o sistema internacional é anárquico e organizado sob desigualdades materiais; logo, as grandes potências moldam o comportamento dos Estados mais fracos, restringindo as suas possibilidades de escolha.

A Venezuela é um fator de instabilidade e um ponto de penetração de outras potências, como a Rússia e, no caso, a China.

As sanções e as ameaças visam um recuo para reduzir a autonomia venezuelana. Maduro representa um elemento personalista de resistência. Retirá-lo era crucial para reestabelecer o domínio.

Como Corina não se tornou uma possibilidade viável, e o fato de se tornar Prêmio Nobel ter mais um efeito de escárnio do que de um fator legitimador, os EUA buscaram uma alternativa. Porém, o chavismo conseguiu criar uma situação para a oposição mais “vende-pátria” de isolamento e unidade nos centros de poder do Estado em torno do chavismo.

Dessa forma, a opção é criar incerteza e ameaça, deixar a vice e mantê-la sob ameaça, forçando uma posição mais subalterna dentro do próprio chavismo, permitindo arengas anti-imperialistas, mas uma posição de subalternidade objetiva, abrindo espaço para uma futura e efetiva mudança de regime.

A outra opção é a invasão, mas essa não será rápida e pode abrir de imediato um atoleiro muito custoso.

Os EUA aguardam as reações, mantêm a ameaça, preparam ampliar a ameaça contra Maduro (humilhação) para planejar novas ações.