Não importa o que diga Trump para justificar o ataque dos EUA e Israel ao Irã, o motivo é simples: mudar o governo iraniano.
Trump tentou outras justificativas, como direitos humanos, ameaça de arma atômica ou o revide por algum ataque iraniano. Porém, neste sábado, após semanas de concentração de tropas no entorno do Irã e o lançamento de um ataque conjunto com Israel, o mandatário americano disse em claro e direto inglês:
“É por isso que as forças militares dos EUA estão empreendendo uma operação mágica e contínua para impedir que essa ditadura radical e perversa ameace a América e nossos interesses de segurança nacional.”
(…) “Esse regime logo aprenderá que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos EUA.”
(…) “Quando terminarmos, tomaremos o controle do seu governo. Ele será seu para assumir. Esta será provavelmente a única chance em gerações.”
Ou seja, o objetivo é a mudança de governo no Irã, a derrubada da República Islâmica, a morte do Aiatolá (que tentaram, mas não conseguiram ainda) e a instalação de um governo colaboracionista.
No meio do caminho há muitos obstáculos aos interesses norte-americanos:
1º O povo iraniano, embora tenha contradições com o governo, tem mais ainda com os EUA e, depois de 46 anos da República Islâmica, após um bombardeio e um assédio aberto, tende a se unificar.
2º Há a Rússia que, mesmo não tendo interesse em abrir novos fronts de guerra, tende a dar, junto com a China, algum apoio logístico, já que o Irã tem papel importante em seus interesses na política internacional.
3º Há muitas organizações de resistência guerrilheira que são solidárias ao Irã e promoverão a sangria dos EUA em caso de uma ocupação prolongada, ou ataques por terra.
Somente bombardeios não vão conseguir mudar o governo do Irã.
4º A guerra se prolongando, o fechamento do Estreito de Ormuz e a ameaça de ataques guerrilheiros, foguetes em instalações militares, aeroportos civis ou a indústria petrolífera pode gerar uma crise econômica muito prejudicial aos EUA. Inicialmente com o aumento do preço do petróleo, o que é imediatamente ruim para os EUA. Mas há muitos desdobramentos políticos possíveis.
Há um fortalecimento da unidade antiimperialista dos grupos mais hostis. Há um isolamento ainda maior dos movimentos conciliadores.
O ataque tira o véu imperialista e qualquer dúvida sobre o papel dos EUA no mundo. Organizações, estados e até aliados tendem a procurar outras alianças, tendem a se preparar para conflitos com os EUA.
O ataque não só ameaça e amedronta, mas unifica as forças contrárias que passam a entender quem são os inimigos. Do ponto de vista político, isso não quer dizer que organizações como o Hezbollah já não soubessem da real natureza do imperialismo dos EUA, mas as suas alas mais moderadas e a sua base social tendem a aderir e aceitar melhor posições de resistência do que posições conciliatórias.
O ataque
Segundo funcionários estadunidenses, os ataques foram lançados desde as bases do Oriente Médio e desde porta-aviões. Os objetivos seriam militares e alvos do governo iraniano. O Irã respondeu com ataques com mísseis em bases militares dos EUA: Al-Udeid no Catar, Ali Al-Salem no Kuwait, Al Dhafra nos Emirados Árabes e o Quartel General da V Frota dos EUA no Barein.