12 de março de 2026 – O Irã continua na ofensiva

misseis

Hoje fazem 13 dias do início da guerra contra o Irã, desde que, em 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, em meio a uma rodada de negociações.

O triunfalismo de Netanyahu e Trump após o assassinato do Khamenei foi gradativamente se desfazendo.

Primeiramente, não houve mudança de governo e o assassinato do líder supremo foi seguido de manifestações gigantescas de apoio ao governo, contra o “Grande Satã” e a entidade sionista. A vitória, que parecia fácil desde a morte do líder supremo, foi seguida por uma recomposição do comando e do próprio líder supremo pelo seu filho, de 50 anos, disposto a enfrentar o império.

Não apenas a morte não foi vista como derrota, mas ao contrário, como martírio, como uma atitude corajosa da liderança que preferiu não se esconder e se expor, no escritório oficial de Khamenei, indicando para a população que os líderes enfrentariam, não exporiam o povo iraniano enquanto se escondiam em algum bunker.

O martírio de Khamenei asfaltou o caminho do seu filho, que o próprio Khamenei preferia que não fosse o sucessor, para que o governo republicano não ficasse com traços dinásticos. Mas quando a morte de Khamenei aconteceu, ao contrário do que Trump tentou indicar, foi eleito o próprio filho, para exatamente indicar continuidade da liderança de Khamenei.

A segunda reação foi a resposta militar iraniana, contra Israel, contra as bases militares norte-americanas no Golfo e contra aeroportos militares. Os EUA intensificam bombardeios e o Irã lança milhares de drones. Os EUA e Israel tentam minimizar os ataques, escondem a extensão dos danos e negam a autoria do crime contra a escola de meninas, que depois o próprio New York Times vai confirmar.

A censura militar e o tom triunfalista de Trump e Israel tentam esconder que os ataques intensos do Irã têm conseguido causar danos significativos. O petróleo sobe de preço e o Irã assume um tom de desafio aberto contra o império e seu cão de guarda sionista.

A opinião pública dos EUA começa a tomar conhecimento dos danos dos ataques iranianos, o custo norte-americano e israelense sobe e a guerra ameaça se estender, sem que haja algum sinal de recuo iraniano. A saída de Trump significaria uma derrota clara.

No dia 3, o presidente iraniano anuncia o fechamento do Estreito de Ormuz. Nos dias seguintes há questionamento do ‘plano’ de Trump — dificuldade em explicar um plano que, se for explícito, está claro que falhou.

Trump busca uma forma de saída por cima. Procura indicar que os iranianos estão procurando ele, indicando uma saída para os iranianos. O Irã nega e continua atacando.

Trump ameaça, sinaliza, busca até a Rússia. A pressão sobe e o dia 13 da guerra é de confusão entre os EUA, de temor “ocidental”. Por outro lado, de firmeza e cadência do comando iraniano.

O plano do Irã em termos imediatos é de certo. Conseguiram manter o ataque de mísseis, danificaram radares e bases norte-americanas, quebraram o mito da invencibilidade norte-americana, inclusive abatendo aviões, furando as defesas aéreas israelenses e forçando Trump a dizer e desdizer o tempo todo suas ameaças, como a possibilidade de uma invasão terrestre e com uma escolta próxima ao Estreito de Ormuz.

O Irã, cumprindo as ameaças, mostrando que não blefa, conquistando credibilidade onde Trump perde, destruiu petroleiros no Estreito e continua atacando posições norte-americanas que se colocam em seu alvo.

Agora, depois de notícias de triunfalismo do ataque sionista-americano na imprensa ocidental, passam a acusar de terrorismo o Irã. Mas a essa altura do campeonato, está muito difícil convencer alguém com o mínimo de massa encefálica de que os EUA e Israel de Netanyahu e a gringolândia de Trump são os mocinhos.