2 de março de 2026 – A Guerra do Irã: 48 horas que mudaram o Oriente Médio

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1ª onda de ataque dos EUA e Israel

A primeira onda foi organizada em meio às negociações. No dia 27 de fevereiro, Trump ainda dizia que estava pensando sobre o ataque. Na manhã de sábado — início da semana para os países muçulmanos — Trump anuncia o ataque. Os ataques foram em alvos militares: lançadores de mísseis, a Marinha iraniana e instalações nucleares. Além do objetivo militar, visavam derrubar o governo do país e promover uma mudança de regime. Trump convoca os iranianos a se rebelarem e assumir o poder.

As baixas iranianas

O Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, foi morto por um míssil em seu escritório. Além do principal chefe do governo iraniano, morreram:

membros da família de Khamenei (filha, genro, neta e nora); esposa de Khamenei; Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã; Ali Shamkhani, Secretário do Conselho de Defesa; Mohammad Pakrour, Comandante-Chefe das Forças Terrestres da Guarda Revolucionária; Abolrahim Mousavi, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; Salih Asadi, Chefe da Inteligência Militar; Aziz Nasirzadeh; Masid Mousavi, Comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária; Hossein Sabal Amelian, Presidente da Organização de Inovação e Pesquisa Defensiva (SPND); e Reza Mozaffari-Nia, ex-presidente do SPND.

Foi anunciado um período de 40 dias de luto. Manifestações anti-imperialistas de milhares de pessoas tomaram conta do domingo. Foi anunciada a sucessão dos comandos e especialmente do Líder Supremo: Alireza Arafi, próximo a Khamenei, passou a dirigir o país junto com o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do judiciário.

O Conselho Supremo Nacional afirmou, sobre a morte de Khamenei: “Seu martírio desencadeará uma revolta massiva na luta contra os opressores.”

A retaliação iraniana

O Irã lançou uma série de ataques de mísseis e drones contra Israel e contra bases militares norte-americanas na região, incluindo a base de Al Udeid (Qatar), Ali Al Salem (Kuwait), Al Dhafra (Emirados Árabes) e o Quartel General da V Frota dos EUA, no Bahrein. Além dos ataques a bases militares dos EUA, foram atingidos Tel Aviv, Beit Shemesh, Jerusalém e áreas civis de Doha. Em Dubai e Manama, foram atingidos também hotéis, como o Fairmont The Palm, o Burj Al Arab e o Crowne Plaza de Manama. Israel teve muitos feridos e mortos.

O Irã também anunciou o fechamento do Golfo de Hormuz para embarcações estrangeiras — exceto chinesas e russas — e pediu a intervenção do Conselho de Segurança da ONU, acusando EUA e Israel de violarem o direito internacional. Ebrahim Jabari, assessor do comandante da Guarda Revolucionária, afirmou à TV iraniana: “Nem uma gota de petróleo” sairá da região.

Na segunda-feira, um petroleiro com bandeira americana foi atingido. Ninguém assumiu o ataque. O petróleo subiu 7% quando abriram os pregões na segunda-feira, chegando a 13%, ultrapassando 82 dólares o barril. A alta foi contida pelo excesso de oferta no mercado — caso a guerra continue, certamente o preço subirá.

Os problemas do lado norte-americano

Nos EUA há um questionamento constitucional sobre quem pode decidir o início de uma guerra — pela Constituição dos EUA, apenas o Congresso detém esse poder. Netanyahu, no próprio dia 28 de fevereiro, já declarava abertamente: “Nossa ação conjunta criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino.”

Netanyahu e Trump enfrentam processos eleitorais este ano. Netanyahu uma eleição para o seu próprio cargo; Trump, as midterms que renovarão parte do Parlamento norte-americano e que podem significar a perda de sua maioria.

O sonho de americanos e israelenses não se concretizou. O Irã iniciou uma retaliação brutal. Ao mesmo tempo, Rubio declarava que “os golpes mais duros ainda estão por vir”, e Trump afirmava que a guerra duraria “de quatro a cinco” semanas, com possibilidade de envio de tropas terrestres. As declarações revelam o que os iranianos já sabem: Trump ameaça enquanto indica negociações, aumenta o tom e rompe. Mas os problemas estão começando a aparecer do seu lado:

  1. 6 mortos americanos confirmados.
  2. O Irã conseguiu furar o sistema antimísseis e causar danos significativos.
  3. Não há nenhum sinal de mudança de regime — ao contrário, houve demonstrações de unidade e resiliência, mesmo após a morte de Khamenei.
  4. Um caça F-15 foi abatido — segundo informações oficiais, pelo Kuwait, fogo amigo. Os EUA confirmam 3 jatos abatidos.
  5. O Presidente da Câmara, Mike Johnson, é obrigado a justificar por que não houve votação sobre os poderes de guerra. Segundo ele, o Irã “estava construindo mísseis em um ritmo tão acelerado que nossos aliados na região não conseguiam acompanhar”.
  6. O Senador Mark Warner (democrata, Virgínia) questionou se uma ameaça a Israel pode ser considerada uma ameaça iminente aos EUA, ao sair de uma reunião da comissão confidencial sobre a guerra.