O domingo começou com a confirmação da morte do Aiatolá Khamenei — o centro do governo iraniano em termos simbólicos e ideológicos. Ao que tudo indica, o ataque foi feito pelos EUA, mas sobretudo por Israel, especialmente o assassinato do Aiatolá Khamenei sob um bombardeio em seu escritório.
Khamenei era o Líder Supremo desde 1989 e foi figura central na Revolução de 1979. O Irã agora entra em um processo de sucessão para escolher um novo Líder Supremo.
O sistema político iraniano tem órgãos distintos que justificam o termo República Islâmica — instituições republicanas sob autoridade religiosa. O cargo mais importante é o Líder Supremo, que comanda as Forças Armadas, nomeia o chefe do judiciário, da mídia estatal e de órgãos importantes. Controla a política externa e a questão nuclear. O presidente é eleito a cada 4 anos e administra o governo e a economia. O Parlamento — o Majlis — tem 290 deputados eleitos, que criam as leis e aprovam o orçamento. Há também o Conselho de Guardiões, que verifica se as leis seguem o Islã e a Constituição, e pode aprovar ou barrar candidatos nas eleições. Por fim, há o Conselho de Peritos, com a função de escolher e supervisionar o Líder Supremo.
Esse Conselho de Peritos é eleito a cada 8 anos, formado por 88 clérigos xiitas que precisam passar pela aprovação do Conselho Guardião, demonstrando qualificação religiosa e lealdade ao sistema islâmico. O Conselho Guardião, por sua vez, é formado por 12 membros — seis clérigos nomeados pelo Líder Supremo e seis juristas indicados pelo poder judiciário e aprovados pelo Parlamento.
A morte do Aiatolá é a joia da coroa — para Israel, é no Irã que está a fonte da resistência, ou do chamado Eixo da Resistência. O assassinato de Soleimani em 2020, a luta contra o Hamas e a destruição de Gaza, o enfraquecimento do Hezbollah e a queda de Bashar Assad foram a sequência dos últimos 5 ou 6 anos que teriam pavimentado o ataque de 28 de fevereiro e o assassinato do Aiatolá Khamenei como última etapa para a consolidação de Israel como força dominante no Oriente Médio. Tudo fragmentado, em meio ao caos, em que Israel seria o único organizado e capaz de articular governos moderados.
O Irã precisa ser submetido nesse plano da Grande Israel — já que, como ficou demonstrado nos 12 dias de conflito em junho de 2025, o Irã poderia ser capaz de causar sérios danos a Israel. Para Israel, derrubar o governo iraniano é fundamental: a cada dia a capacidade de combate iraniana pode aumentar, a denúncia do genocídio palestino cresce e a própria situação de isolamento do sionismo tende a se agravar.
A percepção de que Israel tem um projeto injusto de extermínio do povo palestino e de anexação de territórios árabes é crescente — e o Irã é peça fundamental no processo, principalmente depois do 7 de outubro de 2023, de isolamento e derrota política de Israel.
Era fundamental atacar o Irã. Era fundamental demonstrar uma vitória contra o Irã. Era fundamental que a guerra entrasse no centro do debate internacional, tirando a questão Epstein e Gaza do centro. Há ainda a guerra como forma de manutenção de Netanyahu no poder.
A guerra chegou. A imprensa monopolista continua encantada com os aspectos técnicos do conflito, pouco preocupada com os aspectos políticos — e principalmente com o que vai acontecer, no concreto, entre as populações do Oriente Médio. O ataque é uma violação clara do direito internacional.
A retaliação iraniana será poderosa.