17 de janeiro de 2026 — As petroleiras não investirão na Venezuela e a ação de Trump começa seu declínio

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As petroleiras não investirão na Venezuela, e a ação de Trump — o sequestro de Maduro — começa a mostrar seus limites.

A ExxonMobil disse no dia 10 de janeiro que teria dificuldades em investir na Venezuela. Darren Woods descartou o país como viável para investimento: “Agora não existe segurança total.” Trump respondeu: “Se você não quiser entrar, é só me avisar, porque eu tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje e estão dispostas a ocupar o seu lugar.”

Exxon e ConocoPhillips deixaram a Venezuela há 20 anos, após a nacionalização dos seus ativos. Nesse mesmo dia foi capturado o 5º navio venezuelano.

O governo venezuelano havia feito um acordo para fornecer 50 milhões de barris diários aos EUA — as refinarias norte-americanas estão equipadas para o refino típico do petróleo venezuelano, pesado. Parlamentares democratas chegaram a falar em extorção. Outras empresas presentes na reunião: Halliburton, Valero, Marathon, Shell, Trafigura (Singapura), ENI (Itália) e Repsol (Espanha).

Muito do anunciado por Trump não tem se concretizado. Apoiado no poder militar, mantém a ofensividade — mas muitas das suas posições são insustentáveis no longo prazo.

Para chegar à produção dos anos 1990 — entre 3,0 e 3,5 milhões de barris —, grande parte precisaria ser refinada na costa do Golfo do México. Em 2018, a Venezuela fornecia 506 mil barris diários aos EUA. Atualmente, devido às intervenções de Trump e às sanções, 75% desse fluxo deixou de chegar às refinarias norte-americanas. As próprias sanções de Trump haviam interrompido o fluxo de petróleo barato que abastecia essas refinarias.

Com esse acordo dos 50 milhões de barris, há uma promessa de retomada e Trump oferece um agrado às empresas. Mas se não houver retomada real desse fluxo, objetivamente não haverá lucro para as mais interessadas. Por outro lado, na produção dentro da Venezuela, embora grite e ameace, Trump ainda não tem nada. E não deve ter.

Ao que parece, o centro do chavismo não rompeu. Não há traições nem capitulações em relação à manutenção do projeto chavista. Delcy aceita certas concessões que a colocam numa posição de ganhar tempo frente ao cerco.

Trump não obteve êxitos significativos — exceto o evento midiático e a manutenção da ofensiva. O custo político é enorme: coloca Trump na posição de violador do direito internacional, diminui qualquer possibilidade de bradar democracia para justificar seus atos. O imperialismo pode descartar Trump, e os democratas já mudaram a propaganda, mantendo as grandes políticas trumpistas e assegurando a legitimidade dos EUA. O problema é que os movimentos de Trump não têm conseguido trazer modificações estruturais. Na Venezuela, por exemplo, o governo permanece, a estrutura do Estado chavista permanece. María Corina Machado está cada vez mais desmoralizada — chegou a entregar o Prêmio Nobel a Trump, que disse que ela não deveria ter aceitado. Mesmo se comportando como fabujo, os EUA não podem impor uma mudança de regime sem provocar uma enorme crise, guerra civil e alimentar a resistência anti-imperialista.

Por outro lado, Delcy ganha tempo. O julgamento de Maduro pode se tornar um espetáculo negativo para Trump.

Maduro se comportou como chefe de Estado: denunciou o sequestro e a invasão como agressão ao seu mandato legítimo e contra a soberania do povo venezuelano. Sua moral parece boa — e os americanos, embora possam ter uma carta na manga, podem ter uma situação embaraçosa pela frente. A unidade interna das próprias instituições do Império pode ser abalada, se houver choque interno ou crescimento da opinião pública contra o julgamento de Maduro nos termos em que está sendo conduzido.